Friday, May 28, 2004
enterra de ossos
todo carnaval tem seu fim,
ou seus olhos já não brilham tanto a noite,
nem ao menos ao luar.
há aqueles que sempre nos escutam
mas meus gritos estao, por enquanto,
abafados
soluços não soam bem aos ouvidos
e me assolam estes pensamentos crus
quantos de mim ainda sacrificarei neste mundo?
aprendendo a voar todos estamos
mas as asas estão atrofiadas
o dominio da tecnica
a subversao de nossos sentimentos
no fundo são somente solidao.
como quando parecemos palidos à luz artificial
então alguem pergunta:" Pq está triste?"
triteza por tristeza tenho voce
engastado em meu esterno
ainda a cicatrizar
ninguem percebe,mas é como se eu vivesse a sangrar
ou pairando por sobre uma vida amarga
sem dar-me conta de que aquela é a minha vida
ou pelo menos foi, ou as vezes ainda é
um pouco as sextas insones
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todo carnaval tem seu fim,
ou seus olhos já não brilham tanto a noite,
nem ao menos ao luar.
há aqueles que sempre nos escutam
mas meus gritos estao, por enquanto,
abafados
soluços não soam bem aos ouvidos
e me assolam estes pensamentos crus
quantos de mim ainda sacrificarei neste mundo?
aprendendo a voar todos estamos
mas as asas estão atrofiadas
o dominio da tecnica
a subversao de nossos sentimentos
no fundo são somente solidao.
como quando parecemos palidos à luz artificial
então alguem pergunta:" Pq está triste?"
triteza por tristeza tenho voce
engastado em meu esterno
ainda a cicatrizar
ninguem percebe,mas é como se eu vivesse a sangrar
ou pairando por sobre uma vida amarga
sem dar-me conta de que aquela é a minha vida
ou pelo menos foi, ou as vezes ainda é
um pouco as sextas insones
Wednesday, May 26, 2004
poetearia café club
poderia ter nascido pirata,
mas era só um pirado
algo desagradavel
como a ponta de um cotonete molhado
ou qualquer movel inflavel
a verdade é que valia menos que nada
esse poderia ser meu epitáfio
quando tiver paciencia e morrer
deixar o escuro da minha consciencia
apenas uma couraça a fenescer
um arrastar de indolencia
mas que ainda soará como desafio
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poderia ter nascido pirata,
mas era só um pirado
algo desagradavel
como a ponta de um cotonete molhado
ou qualquer movel inflavel
a verdade é que valia menos que nada
esse poderia ser meu epitáfio
quando tiver paciencia e morrer
deixar o escuro da minha consciencia
apenas uma couraça a fenescer
um arrastar de indolencia
mas que ainda soará como desafio
Tuesday, May 04, 2004
Bitter Romeu
Poderia estar dormindo naquele momento mas sentia-se como despertando de um longo sono preguiçoso, aquelas sonecas que se tira em tardes mornas, refestelando-se com a barriga cheia de alguma comida pesada. caminhando pé ante pé, um trote seguido de malabarismo com um cigarro e uma dança erotica da fumaça, vagava sem determinar até aonde iria, por que no fundo, isso é o que menos importa, lançou de soslaio pelo canto de uma boca torta. boca torta, cara torta, vida torta. assaltante e poeta. Baudellarie e Mengele espreitando a mesma alma, temperos numa mistura em um caldeirao com rachaduras. rachaduras chamadas vida, familia, desajuste social, maus tratos, violencia, confinamento e doença mental. o caldeirao rolava rua abaixo, livrou-se do cigarro, levou a mao as costas, e num giro de 180 graus, entrou com arma em punho em um restaurante qualquer da orla. mas aquelas nao eram pessoas qualquer. eram gado. ou melhor, naquele momento eram indios, e ele o jesuita a catequiza-los, torna-los iniciados, nao mais testemunhas, mas agentes ativos no inferno em que vivia, na merda que o atolava até o pescoço.
entao bradou: _" Poderia estar preso numa casca de noz e considerar-me-ia rei do infinito não fossem os maus sonhos que tenho. Sonhos são ambição porque a própria ambição é meramente a sombra de um sonho."
e era Hamlet em sua vertiginosa queda para loucura...
e entao ouviu algo que sua mente entendeu como uma voz, mas para seu coração era um cantico de louvor, como se uma Ninfa estivesse lendo a divina comedia:
_" Homem, ó orgulhoso homem, ignorante daquilo que mais tem certeza, como um macaco furioso fazes coisas tão fantásticas perante os céus que provocas lágrimas aos anjos."
o que eram lágrimas para ela, de qualquer forma estouraria a cara da cadela intelectual, e virou com impeto e furia...uma menina de um 14 anos o encarava com olhos curiosos, olhos carregados da mansidao da intelectualidade somados a inquietação da imaginação. eram olhos como os seus, só nao tinham a enorme dor dos seus. pensou em perverte-la, pensou em macula-la, queria mancha-la, torna-la tao suja quanto ele. seus joelhos que sempre julgou marmores, tremeram. estava longe demais de si mesmo. 180 e caiu direto na cilada. "A beleza provoca os ladrões mais que o ouro." _pensou. E correu. mais tarde, sentado no mirante, ao cair do grande disco laranja, pensou como era desafortunado, mas que se foda. e foda-se Shakespeare.
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Poderia estar dormindo naquele momento mas sentia-se como despertando de um longo sono preguiçoso, aquelas sonecas que se tira em tardes mornas, refestelando-se com a barriga cheia de alguma comida pesada. caminhando pé ante pé, um trote seguido de malabarismo com um cigarro e uma dança erotica da fumaça, vagava sem determinar até aonde iria, por que no fundo, isso é o que menos importa, lançou de soslaio pelo canto de uma boca torta. boca torta, cara torta, vida torta. assaltante e poeta. Baudellarie e Mengele espreitando a mesma alma, temperos numa mistura em um caldeirao com rachaduras. rachaduras chamadas vida, familia, desajuste social, maus tratos, violencia, confinamento e doença mental. o caldeirao rolava rua abaixo, livrou-se do cigarro, levou a mao as costas, e num giro de 180 graus, entrou com arma em punho em um restaurante qualquer da orla. mas aquelas nao eram pessoas qualquer. eram gado. ou melhor, naquele momento eram indios, e ele o jesuita a catequiza-los, torna-los iniciados, nao mais testemunhas, mas agentes ativos no inferno em que vivia, na merda que o atolava até o pescoço.
entao bradou: _" Poderia estar preso numa casca de noz e considerar-me-ia rei do infinito não fossem os maus sonhos que tenho. Sonhos são ambição porque a própria ambição é meramente a sombra de um sonho."
e era Hamlet em sua vertiginosa queda para loucura...
e entao ouviu algo que sua mente entendeu como uma voz, mas para seu coração era um cantico de louvor, como se uma Ninfa estivesse lendo a divina comedia:
_" Homem, ó orgulhoso homem, ignorante daquilo que mais tem certeza, como um macaco furioso fazes coisas tão fantásticas perante os céus que provocas lágrimas aos anjos."
o que eram lágrimas para ela, de qualquer forma estouraria a cara da cadela intelectual, e virou com impeto e furia...uma menina de um 14 anos o encarava com olhos curiosos, olhos carregados da mansidao da intelectualidade somados a inquietação da imaginação. eram olhos como os seus, só nao tinham a enorme dor dos seus. pensou em perverte-la, pensou em macula-la, queria mancha-la, torna-la tao suja quanto ele. seus joelhos que sempre julgou marmores, tremeram. estava longe demais de si mesmo. 180 e caiu direto na cilada. "A beleza provoca os ladrões mais que o ouro." _pensou. E correu. mais tarde, sentado no mirante, ao cair do grande disco laranja, pensou como era desafortunado, mas que se foda. e foda-se Shakespeare.
Sunday, May 02, 2004
Canção sem blá-blá-blá
Sentados de frente um para o outro estávamos, o barulho, o calor e o hipnotismo que a presença dos dois infligia ao ambiente. O possível morador de rua da mesa em frente tomba sua fronte, num movimento que prenuncia a guinada para um sono profundo.
__ você não se pega imaginando, ao observar qualquer pessoa passando pela rua, que aquele individuo possui uma história? Isso me intriga muito ultimamente.
__eu compreendo...(entre uma mordida e outra em um grande sanduíche)... já me peguei divagando nessa linha e...(um profundo gole em um insosso refrigerante de maquina), você acha que ainda há tempo para chegarmos ao cinema? Eu ainda vou querer um sorvete...
__acho que não há tempo para o sorvete. Coma suas batatas pelo caminho e eu carrego o refrigerante para você. Eu ainda acredito, e essa teoria eu desenvolvi recentemente, para ser mais preciso agora, que cada pessoa possui três histórias: a que a própria pessoa conta que viveu, a que as outras pessoas contam que ela viveu, e por ultimo mas não menos importante, a que ela realmente viveu, sob as vistas de uma consciência impalpável. Essas histórias, nunca em toda humanidade, coincidiram. Esse é o grande barato, o segredo da vida! Vamos virar aqui e passar pela rua de trás.
__vou querer comer algum doce... veja, ali na frente tem pipoca!(ensaia uma pequena corrida) você tem seus dias... há dias que sua normalidade me assusta, mas você, do jeito que está hoje, sempre me arrebata. Sabe, eu quero te confessar uma coisa, já que estamos vivendo essa “passional way”, eu odeio uma coisa que você faz, que simplesmente se resume a ação que eu defini como: meias palavras ao telefone. Consisti em manter longas conversas comigo em que a profusão de Ahns! e Arrams! Me enlouquecem! São sucessões de sim e não que não exemplificam a exatidão dessas palavras. Substancialidade, se é que isso existe, pelamordedeus!
__ se eu fosse morar com você, eu lhe acordaria todos os dias com mordidas. Entraria sorrateiramente pelo seu quarto e lhe morderia entre as espáduas, dia após dia...
__eu me trancaria no quarto.
__eu esmurraria a porta até que você levantasse e a abrisse, para que então eu procedesse ao ataque mandibular a suas espáduas.
__pelo menos desse jeito eu estaria mais acordada, e o susto ia ser menor. A consciência da dor a torna menor. Assim espero. Vou comprar balas.
__vou ficar aqui e fumar um cigarro, depois entramos, o filme já vai começar...
__Tá!
Sentado no banco em frente ao cinema, lembrei de uma cena da semana passada, ali mesmo naquele banco, naquele exato lugar, o mesmo cigarro na mão, mas do outro lado da calçada um garoto, nem tão garoto, da mesma idade que a minha, sentado no chão, um bloco e lápis na mão, a desenhar o prédio do outro lado da rua. O prédio tinha uma historia, o garoto também. O pipoqueiro, as pessoas passando, a menina comprando balas, e até mesmo eu. Naquele momento fiquei perdido nessa cena, que já não sabia se estava acontecendo no agora, ou a uma semana atrás. O tempo passava, já havia lido em algum lugar que ele é inexorável. A mão que deslizou em minhas costas era a mão que me salvava daquele vórtice temporal, e seria a mesma que vinha me salvando de outros vórtices, que não temporais, e ainda muito havia de me salvar. Era essa a impressão que sentia ao ouvir sua voz, ou até mesmo o menor trinado de sua risada.
__acho que quero fumar um pouco, vamos me dê um trago desse ai mesmo...
__vamos entrar, o filme já está para começar.
Ao sair do filme, ela irrompe para o ônibus, levando consigo não só apenas as borboletas que estavam alojadas no meu estomago, mas a chave de minha casa em sua bolsa. Ainda a veria hoje, seguiria no próximo ônibus para sua casa.
Ao voltar para casa, a palavra sincronicidade pairava, como nevoa, em sua vista já um tanto quanto fatigada.
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Sentados de frente um para o outro estávamos, o barulho, o calor e o hipnotismo que a presença dos dois infligia ao ambiente. O possível morador de rua da mesa em frente tomba sua fronte, num movimento que prenuncia a guinada para um sono profundo.
__ você não se pega imaginando, ao observar qualquer pessoa passando pela rua, que aquele individuo possui uma história? Isso me intriga muito ultimamente.
__eu compreendo...(entre uma mordida e outra em um grande sanduíche)... já me peguei divagando nessa linha e...(um profundo gole em um insosso refrigerante de maquina), você acha que ainda há tempo para chegarmos ao cinema? Eu ainda vou querer um sorvete...
__acho que não há tempo para o sorvete. Coma suas batatas pelo caminho e eu carrego o refrigerante para você. Eu ainda acredito, e essa teoria eu desenvolvi recentemente, para ser mais preciso agora, que cada pessoa possui três histórias: a que a própria pessoa conta que viveu, a que as outras pessoas contam que ela viveu, e por ultimo mas não menos importante, a que ela realmente viveu, sob as vistas de uma consciência impalpável. Essas histórias, nunca em toda humanidade, coincidiram. Esse é o grande barato, o segredo da vida! Vamos virar aqui e passar pela rua de trás.
__vou querer comer algum doce... veja, ali na frente tem pipoca!(ensaia uma pequena corrida) você tem seus dias... há dias que sua normalidade me assusta, mas você, do jeito que está hoje, sempre me arrebata. Sabe, eu quero te confessar uma coisa, já que estamos vivendo essa “passional way”, eu odeio uma coisa que você faz, que simplesmente se resume a ação que eu defini como: meias palavras ao telefone. Consisti em manter longas conversas comigo em que a profusão de Ahns! e Arrams! Me enlouquecem! São sucessões de sim e não que não exemplificam a exatidão dessas palavras. Substancialidade, se é que isso existe, pelamordedeus!
__ se eu fosse morar com você, eu lhe acordaria todos os dias com mordidas. Entraria sorrateiramente pelo seu quarto e lhe morderia entre as espáduas, dia após dia...
__eu me trancaria no quarto.
__eu esmurraria a porta até que você levantasse e a abrisse, para que então eu procedesse ao ataque mandibular a suas espáduas.
__pelo menos desse jeito eu estaria mais acordada, e o susto ia ser menor. A consciência da dor a torna menor. Assim espero. Vou comprar balas.
__vou ficar aqui e fumar um cigarro, depois entramos, o filme já vai começar...
__Tá!
Sentado no banco em frente ao cinema, lembrei de uma cena da semana passada, ali mesmo naquele banco, naquele exato lugar, o mesmo cigarro na mão, mas do outro lado da calçada um garoto, nem tão garoto, da mesma idade que a minha, sentado no chão, um bloco e lápis na mão, a desenhar o prédio do outro lado da rua. O prédio tinha uma historia, o garoto também. O pipoqueiro, as pessoas passando, a menina comprando balas, e até mesmo eu. Naquele momento fiquei perdido nessa cena, que já não sabia se estava acontecendo no agora, ou a uma semana atrás. O tempo passava, já havia lido em algum lugar que ele é inexorável. A mão que deslizou em minhas costas era a mão que me salvava daquele vórtice temporal, e seria a mesma que vinha me salvando de outros vórtices, que não temporais, e ainda muito havia de me salvar. Era essa a impressão que sentia ao ouvir sua voz, ou até mesmo o menor trinado de sua risada.
__acho que quero fumar um pouco, vamos me dê um trago desse ai mesmo...
__vamos entrar, o filme já está para começar.
Ao sair do filme, ela irrompe para o ônibus, levando consigo não só apenas as borboletas que estavam alojadas no meu estomago, mas a chave de minha casa em sua bolsa. Ainda a veria hoje, seguiria no próximo ônibus para sua casa.
Ao voltar para casa, a palavra sincronicidade pairava, como nevoa, em sua vista já um tanto quanto fatigada.
Cogito Behind Tropics
A linha do baixo, esse para ele era o segredo de qualquer boa musica. Idiota que se levava a serio. Como quando viu em um filme que o esperto cara esperto, para elaborar o plano perfeito imaginou um cara mais esperto, e pensou o que ele faria e entao fez. Qualquer vozinha irritante que toca na sua nuca, como soa pra mim Beth Gibbons. Ou Joao Gilberto. Como os dias em que se acorda e a impressao que se tem no fim dele é que estamos todos arrastando nossos ventres por estas terras amaldiçoadas. E tudo o mais fede como a massa amarela e fetida que insiste em sair de sua garganta. A saburra azeda que temos na boca ao dormirmos bebedos. O saudosismo de uma luminosidade amarela de um sabado a tarde. Eu coço seus pés, voce coça os meus, bem aí no vao. Isso era poesia em seus ouvidos. Sabia que podia ser amor. Voltaria a pensar nisso depois. Tentou politica, vou dormir, mijar, comer, pornografia. E ela continuava a pairar sobre ele, sair do tema nao seria fácil. E veio naturalmente George Romero, e o Ventania com sua voz irritante. Na verdade ele queria uma grande razao. Nao queria eras descobrir-se parte de um universo que era meramente uma particula de poeira aderida a pele de um antebraço de um ser maior, e infinitamente superior. por que na abstração e alheiamento em que se encontrava tudo era possivel. Inclusive um mergulho ainda maior na agonia do amor. por que amor é agonia. amor é gosto quente de afagos doces lambidas molhadas em sofregos suspiros. amor é desespero, nao se encontrar em outra pessoa e sofrer por isso e ama-la mais que a si mesmo e sofrer por isso, e amar por isso e morrer por isso. Morte fisica, ou poetica. Um palito de fosforo ainda é um palito de fosforo, aceso ou apagado. O amor acende e apaga palitos. as pessoas sao palitos acesos ou apagados, uns pelo amor, outros por qualquer dor, a maioria pela propria vida. Levante agora, corra e grite!
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A linha do baixo, esse para ele era o segredo de qualquer boa musica. Idiota que se levava a serio. Como quando viu em um filme que o esperto cara esperto, para elaborar o plano perfeito imaginou um cara mais esperto, e pensou o que ele faria e entao fez. Qualquer vozinha irritante que toca na sua nuca, como soa pra mim Beth Gibbons. Ou Joao Gilberto. Como os dias em que se acorda e a impressao que se tem no fim dele é que estamos todos arrastando nossos ventres por estas terras amaldiçoadas. E tudo o mais fede como a massa amarela e fetida que insiste em sair de sua garganta. A saburra azeda que temos na boca ao dormirmos bebedos. O saudosismo de uma luminosidade amarela de um sabado a tarde. Eu coço seus pés, voce coça os meus, bem aí no vao. Isso era poesia em seus ouvidos. Sabia que podia ser amor. Voltaria a pensar nisso depois. Tentou politica, vou dormir, mijar, comer, pornografia. E ela continuava a pairar sobre ele, sair do tema nao seria fácil. E veio naturalmente George Romero, e o Ventania com sua voz irritante. Na verdade ele queria uma grande razao. Nao queria eras descobrir-se parte de um universo que era meramente uma particula de poeira aderida a pele de um antebraço de um ser maior, e infinitamente superior. por que na abstração e alheiamento em que se encontrava tudo era possivel. Inclusive um mergulho ainda maior na agonia do amor. por que amor é agonia. amor é gosto quente de afagos doces lambidas molhadas em sofregos suspiros. amor é desespero, nao se encontrar em outra pessoa e sofrer por isso e ama-la mais que a si mesmo e sofrer por isso, e amar por isso e morrer por isso. Morte fisica, ou poetica. Um palito de fosforo ainda é um palito de fosforo, aceso ou apagado. O amor acende e apaga palitos. as pessoas sao palitos acesos ou apagados, uns pelo amor, outros por qualquer dor, a maioria pela propria vida. Levante agora, corra e grite!
Thursday, April 15, 2004
Necronológico
voltei de um lugar aonde eu nao existia. parti sem nem ter me ausentado. e a chuva oblíqua.e o clovis pulando o fim do carnaval. era uma amor. era uma lembrança. era uma macula. sangue suor esperma vomito e mijo. tudo isso pela calça e o bico do sapato. e o gosto acre de bebida e sexo barato. muito fumo, muita decadencia. resfolegos e amassadelas em esquinas baratas. bolinação em elevadores. o carpete e os acaros a servir de nosso ninho de amor. somos a quinta essencia do amor. liberdade e campari. que puta ressaca. desejos morbidos de assassinios. decapita-la em atos de louva-deus. o antropofagismos perpetua a especie. peripecias em mamilos turgidos. umedecentes labios carnivoros. bebo... e fumo... e fodo. o mundo a acabar e a espiral de desejo carnal e luxuria em miasmas e turbilhoes. metempsicose e putaria. explorar a dor e o tesao. ser golfado pelo buraco umido do prazer. foder uma carne já extenuada por perpetuos gozos que passaram de limites toleráveis por qualquer mulher respeitavel...
achei o amor da minha vida?
Posso entrar? E dizer algumas verdades?
Posso dizer seguramente desde já que o relevante na vida não são as respostas certas, mas sim as perguntas certas. é a partir destas que encontramos a pura verdade, sabendo que a verdade em sua pureza nem sempre vai ser absoluta...
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voltei de um lugar aonde eu nao existia. parti sem nem ter me ausentado. e a chuva oblíqua.e o clovis pulando o fim do carnaval. era uma amor. era uma lembrança. era uma macula. sangue suor esperma vomito e mijo. tudo isso pela calça e o bico do sapato. e o gosto acre de bebida e sexo barato. muito fumo, muita decadencia. resfolegos e amassadelas em esquinas baratas. bolinação em elevadores. o carpete e os acaros a servir de nosso ninho de amor. somos a quinta essencia do amor. liberdade e campari. que puta ressaca. desejos morbidos de assassinios. decapita-la em atos de louva-deus. o antropofagismos perpetua a especie. peripecias em mamilos turgidos. umedecentes labios carnivoros. bebo... e fumo... e fodo. o mundo a acabar e a espiral de desejo carnal e luxuria em miasmas e turbilhoes. metempsicose e putaria. explorar a dor e o tesao. ser golfado pelo buraco umido do prazer. foder uma carne já extenuada por perpetuos gozos que passaram de limites toleráveis por qualquer mulher respeitavel...
achei o amor da minha vida?
Posso entrar? E dizer algumas verdades?
Posso dizer seguramente desde já que o relevante na vida não são as respostas certas, mas sim as perguntas certas. é a partir destas que encontramos a pura verdade, sabendo que a verdade em sua pureza nem sempre vai ser absoluta...
Um Sonho Inventado
...agora que a chuva lavou, o vento varreu...
Dante
Uma sala de julgamento, ampla, madeira escura, varias pessoas me cumprimentam, a maioria crianças, me sinto satisfeito. A juíza é uma coroa, acaba o julgamento, não sei o resultado do julgamento, sentado na bancada da juíza, ela vem falar comigo. Conversamos, ela é simpática, eu sei que vai haver uma batalha, ela parece gostar de mim, me sinto feliz, saímos andando, eu carrego seus papeis, a gente se separa, os papeis caem no chão. Corta para cena de batalha, são dois exércitos, como depois venho saber, o exercito é apenas um, como uma de suas partes se rebelando. Há uma luta em um pátio grande, de um castelo, onde esses rebeldes são aniquilados. Somos liderados por 2 mulheres, bonitas. No final elas dançam e conversam, há, em algum lugar um padre. Elas apontam para mim. Corta para a cena em um relvado, onde converso com uma das mulheres, somos íntimos, estou indo embora, corro e subo em uma pequena motocicleta, ela corre atrás de mim, estamos brincando, eu pulo na moto, ela cai e eu mergulho em um rio. Ao emergir estou em uma praia, ainda com a mulher. Ela me pergunta aonde fica a praia de Bikini, e a linha do Canadá, observamos um símbolo com o formato de um híbrido de um feijão/pequeno embrião, bem pequeno, impresso na areia. Vejo um panorama do alto e percebo que estou em uma ilha. Me separo da mulher, vou na direção de 5 ou 6 que estão deitados em uma pedra enorme. Há um muito feio. Tento conversar, em inglês. Apensa dois, incluindo o feio, me dão atenção. Os outros caçoam. Há uma prancha sobre a pedra, e a conversa é sobre a praia. Saímos andando, eu, o feio e o outro dos caras, que se chama Eric. Pergunto de onde ele é, ainda em inglês, e ele diz ser do Brasil e começa a rir, eu me espanto e digo que também sou brasileiro, já em português. Ele diz ser de Barra do Pirai. Eric na verdade, é um garoto que estudou comigo no primário em Angra. Acaba o sonho...
Obs: é muito fácil lembra os cenários, mas os diálogos, só lembro geralmente do conteúdo.
O encontro com a juíza, sua pessoa; o cara feio, são pessoas que me inspiraram extrema simpatia. A juíza era como uma fonte de sabedoria e o feio, bondade.
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...agora que a chuva lavou, o vento varreu...
Dante
Uma sala de julgamento, ampla, madeira escura, varias pessoas me cumprimentam, a maioria crianças, me sinto satisfeito. A juíza é uma coroa, acaba o julgamento, não sei o resultado do julgamento, sentado na bancada da juíza, ela vem falar comigo. Conversamos, ela é simpática, eu sei que vai haver uma batalha, ela parece gostar de mim, me sinto feliz, saímos andando, eu carrego seus papeis, a gente se separa, os papeis caem no chão. Corta para cena de batalha, são dois exércitos, como depois venho saber, o exercito é apenas um, como uma de suas partes se rebelando. Há uma luta em um pátio grande, de um castelo, onde esses rebeldes são aniquilados. Somos liderados por 2 mulheres, bonitas. No final elas dançam e conversam, há, em algum lugar um padre. Elas apontam para mim. Corta para a cena em um relvado, onde converso com uma das mulheres, somos íntimos, estou indo embora, corro e subo em uma pequena motocicleta, ela corre atrás de mim, estamos brincando, eu pulo na moto, ela cai e eu mergulho em um rio. Ao emergir estou em uma praia, ainda com a mulher. Ela me pergunta aonde fica a praia de Bikini, e a linha do Canadá, observamos um símbolo com o formato de um híbrido de um feijão/pequeno embrião, bem pequeno, impresso na areia. Vejo um panorama do alto e percebo que estou em uma ilha. Me separo da mulher, vou na direção de 5 ou 6 que estão deitados em uma pedra enorme. Há um muito feio. Tento conversar, em inglês. Apensa dois, incluindo o feio, me dão atenção. Os outros caçoam. Há uma prancha sobre a pedra, e a conversa é sobre a praia. Saímos andando, eu, o feio e o outro dos caras, que se chama Eric. Pergunto de onde ele é, ainda em inglês, e ele diz ser do Brasil e começa a rir, eu me espanto e digo que também sou brasileiro, já em português. Ele diz ser de Barra do Pirai. Eric na verdade, é um garoto que estudou comigo no primário em Angra. Acaba o sonho...
Obs: é muito fácil lembra os cenários, mas os diálogos, só lembro geralmente do conteúdo.
O encontro com a juíza, sua pessoa; o cara feio, são pessoas que me inspiraram extrema simpatia. A juíza era como uma fonte de sabedoria e o feio, bondade.
Como lidar com a imbecilização reinante? E se por inércia sucumbisse a essas forças das trevas?
Era uma sexta-feira chuvosa, nada em especial a fazer, mas sentia que sua vida caminhava vertiginosamente para um desfecho revelador.
Com quantos pães se alimenta uma sociedade sonhadora? Essa massa de indivíduos de olhares mortiços, que temerosos, exprimem muito pouco de suas almas em chamas. Sentia-se imerso em pensamentos que acreditava serem inúteis, mas que afinal, viagens de ônibus o incitavam a divagar...
Adorava o processo que se operava na janela daquele veiculo. Era tudo simples: da paisagem caótica de uma cidade injusta e tecnológica, para o nada, e pouco a pouco a transformação diante de seus olhos, tendo como produto final a cidade modorrenta e provinciana que tinha como suas raízes.
Sempre se definia assim, cosmopolita, conservador, libertino e reacionário. Impossível?
Agora entendem em parte meu sofrimento...
O ônibus estava cheio de belos espécimes femininos. Mas ele se ateve a apenas um. Um vestido cinza, botas pretas, um grande coque frouxo no alto da cabeça a ordenar cabelos escuros com um leve brilho acobreado. Maquiagem sóbria, não, todo o conjunto refletia sobriedade. E beleza, uma beleza segura, de uma mulher segura, possivelmente uma mulher de negócios, com sua agenda preta, sua pasta preta e sua caneta cara. Ele sentado no meio do ônibus, poltrona 27, ela na primeira fila, poltrona 1. Uns cinco metros os separavam, mas ainda assim sentia o energia sexual que esta Nefertiti o infligia. Ela se mostrou indiferente, certamente não havia tomado conta de sua existência. Do alto de seus 30 anos essa mulher exalava desejo. Ele se apaixonou como há muito não fazia. E sonhou que o destino poderia em um gesto de misericórdia fazer com que esta mulher o amasse. Amasse o poeta, o escritor, o atormentado,o sacana, o vagabundo, o perverso. E só com isso ele seria melhor, e ela estaria salva... Jurou para si mesmo que poderia até amá-la. E lhe meteria um boneco, faria um filho. Foderia com ela com suas inúmeras pulseiras de prata à tilintar, seus cabelos soltos e revoltos, sua boca luxuriosa e sua bunda compacta. Era magra, esguia e sem uma parte de seu corpo a balançar. Seios pequenos e bem feitos. Mas o que o atraia era o seu ar de mulher bem resolvida.
Deus, como gostaria de foder não só seu corpo, mas sua cabeça!
Deixa-la louca, humilhada, a passar tardes a esperá-lo, ansiosa, engordando em um amplo apartamento escuro, ardendo de desejo. E ele chegaria cansado, tomaria um trago, fumariam juntos, ele contaria seus pensamentos mais estapafúrdios e foderiam até adormecerem, extenuados. Ela lhe acordaria com caricias no seu membro e lhe sopraria em seu ouvido um “eu te amo” ainda sonolento. Ele se levantaria, ia esperar o troço abaixar, dava uma mijada e sairia para trabalhar com o cheiro dela no corpo.
Todo esse fluxo aconteceu na parada do ônibus, numa breve cruzada de olhares, no insípido corredor do veiculo. Mas marcaria indelevelmente aquela viagem em sua memória. Ele desceu em seu ponto, ela seguiu para a próxima cidade. Ele havia se modificado, ela nunca mais seria a mesma. O universo havia expandido. Nós na maioria das vezes não percebemos como é maravilhoso e importante esse processo.
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Era uma sexta-feira chuvosa, nada em especial a fazer, mas sentia que sua vida caminhava vertiginosamente para um desfecho revelador.
Com quantos pães se alimenta uma sociedade sonhadora? Essa massa de indivíduos de olhares mortiços, que temerosos, exprimem muito pouco de suas almas em chamas. Sentia-se imerso em pensamentos que acreditava serem inúteis, mas que afinal, viagens de ônibus o incitavam a divagar...
Adorava o processo que se operava na janela daquele veiculo. Era tudo simples: da paisagem caótica de uma cidade injusta e tecnológica, para o nada, e pouco a pouco a transformação diante de seus olhos, tendo como produto final a cidade modorrenta e provinciana que tinha como suas raízes.
Sempre se definia assim, cosmopolita, conservador, libertino e reacionário. Impossível?
Agora entendem em parte meu sofrimento...
O ônibus estava cheio de belos espécimes femininos. Mas ele se ateve a apenas um. Um vestido cinza, botas pretas, um grande coque frouxo no alto da cabeça a ordenar cabelos escuros com um leve brilho acobreado. Maquiagem sóbria, não, todo o conjunto refletia sobriedade. E beleza, uma beleza segura, de uma mulher segura, possivelmente uma mulher de negócios, com sua agenda preta, sua pasta preta e sua caneta cara. Ele sentado no meio do ônibus, poltrona 27, ela na primeira fila, poltrona 1. Uns cinco metros os separavam, mas ainda assim sentia o energia sexual que esta Nefertiti o infligia. Ela se mostrou indiferente, certamente não havia tomado conta de sua existência. Do alto de seus 30 anos essa mulher exalava desejo. Ele se apaixonou como há muito não fazia. E sonhou que o destino poderia em um gesto de misericórdia fazer com que esta mulher o amasse. Amasse o poeta, o escritor, o atormentado,o sacana, o vagabundo, o perverso. E só com isso ele seria melhor, e ela estaria salva... Jurou para si mesmo que poderia até amá-la. E lhe meteria um boneco, faria um filho. Foderia com ela com suas inúmeras pulseiras de prata à tilintar, seus cabelos soltos e revoltos, sua boca luxuriosa e sua bunda compacta. Era magra, esguia e sem uma parte de seu corpo a balançar. Seios pequenos e bem feitos. Mas o que o atraia era o seu ar de mulher bem resolvida.
Deus, como gostaria de foder não só seu corpo, mas sua cabeça!
Deixa-la louca, humilhada, a passar tardes a esperá-lo, ansiosa, engordando em um amplo apartamento escuro, ardendo de desejo. E ele chegaria cansado, tomaria um trago, fumariam juntos, ele contaria seus pensamentos mais estapafúrdios e foderiam até adormecerem, extenuados. Ela lhe acordaria com caricias no seu membro e lhe sopraria em seu ouvido um “eu te amo” ainda sonolento. Ele se levantaria, ia esperar o troço abaixar, dava uma mijada e sairia para trabalhar com o cheiro dela no corpo.
Todo esse fluxo aconteceu na parada do ônibus, numa breve cruzada de olhares, no insípido corredor do veiculo. Mas marcaria indelevelmente aquela viagem em sua memória. Ele desceu em seu ponto, ela seguiu para a próxima cidade. Ele havia se modificado, ela nunca mais seria a mesma. O universo havia expandido. Nós na maioria das vezes não percebemos como é maravilhoso e importante esse processo.
